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Alvaro M. Rocha - 17 de Abril, 2007
Alvaro M. Rocha, Abril 2007

Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007

"Demita" o chefe

Este post tem por base um excelente artigo da Executive Digest Portugal de Agosto de 2007. Inspirei-me apenas nos sete ítems (nos títulos somente, e dei largas à veia artística), sete alíneas que a dita descreve muito mais diplomaticamente, sendo portanto tudo o resto (para além de apenas os títulos) livremente dissertado por este vosso amigo (com base na extrema tecnicidade do excelente texto and very much way way beyond).

Logo,

O título é enganador, pois não pode demitir o chefe, mas pode dar corda aos cal cantes, demitir-se pragmaticamente, e deixar a administração a considerar seriamente o (não) talento do dito e, quem sabe, pode ser que o convidem a regressar.



Mas não tenha dúvidas (ou sofra muito):

Se o seu chefe tiver alguma das seguintes "qualidades", demita-se ou este vai fazê-lo por si (leia-se que tudo fará para o/a mandar às couves).

Se você for competente e alguém acima de si encaixar no abaixo descrito, mais cedo ou mais tarde terá que (re)pensar em fazer carreira a dar milho aos patos da Gulbenkian, do Campo Grande, ou de onde for...

Se puder, faça-o apenas depois de ter uma boa estratégia de backup e enquanto os seus investimentos (tem? Senão mais vale ir sofrendo a tirania) rendem a dois dígitos de percentagem... ou está mesmo feito/a ao bife.


Curto (?) e grosso

Basta notar um destes defeitos descritos abaixo em alguém "acima" de si para seriamente considerar repensar a carreira se quiser ir para além das estrelas.

Portanto se (até você) ou o seu/sua chefe ou alguém acima possui disto abaixo, esqueça a carreira, e prepare-se ou para refeições de lagosta nas Seychelles se conseguir uma boa indemnização (pois alguém cometerá a estupidez de o querer mandar sair, sem razão), ou uma pousada 100 (abrigo), pois pois então... cá vai disto:


1 - Vaidade

O bom leader não é peneirento, tem bom gosto, não é vaidoso, é sensível ao impacto da imagem e suficientemente confiante para impor a sua vontade, se apropriado. É muito agradável, sereno, tranquilo. Ira-se quando necessário, justificando racional e pragmaticamente os motivos da mesma. Não castiga, recompensa. Inspira seguidores, não os aterroriza.

O inseguro é vaidoso: pecado muito mortal. Jamais ditará uma moda, mas seguirá todas.

Quando falo em moda, não falo só em vestuário, mas também em projectos, tecnologias, metodologias e tudo o que encaixe num processo de comunicação e empreendimento.

Quem olha para o umbigo, não só nunca se desvia dos golpes a que se expõe, quando falha em "seguir bem a moda", com a desculpa de "falhas de protocolo/comunicação" (e que alguém não o avisou), como não vê nem nunca verá o suficiente para agradecer quem dos ditos ataques o defende com uma desculpa diplomática (adivinhe quem?), quando algo corre mal.

Esqueça amparar golpes para proteger peneirentos, você é perfeitamente dispensável para estes peneirentos que acham que é para isto que nasceu: para eles pisarem e limpar os sapatos - acorde pois, para ele/ela, você é um tapete, e não uns ténis desportivos para o/a ajudarem a correr mais depressa e melhor.

Pois, como em tudo, se a sua chefia sofre de egocentrismo agravado, sofre também deste destino: Quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré.


2 - Provincianismo

Um génio é simples e adora a simplicidade, é humilde e sábio, quase inocente quão uma criança na sua "googleolesca" (gigantesca e fundamentada) experiência.

Um provinciano é simplista, vazio, oco, estúpido mesmo, tanto que nem percebe o quão imbecil acham todos que é! Mas iludido/a, tenta iludir com termos confusos, de quem lê sem ler (tipo compra um livro e lê as primeiras frases e os títulos dos capítulos) e segue mexericos ilusórios, na voga, de forma a alimentar a vaidade e ganhar tempo, para o poder ir perdendo noutras actividades mais lúdicas (leia-se: do exclusivo interesse pessoal).

Mas findo o dito tempo (desperdiçado em inúteis actividades "lúdicas" pessoais), finda tudo.
Quem lidera forma grupos, quem é liderado faz parte deles.

O seu chefe, se provinciano, nem sabe o que são grupos, nem liderar, nem ser liderado, apenas sabe sobreviver colocando outros na frente para levar o balázio e outros por trás a arranjar boas desculpas.

Rodea-se de provincianos nas esferas de influência (se também ela, provinciana, condenada, mas o bom, pois sendo igual à sua chefia, é provável que a mandem (o seu incómodo) às couves também por motivos irracionais (os que a dita invocará) - convenhamos que a Administração tem que ser provinciana, ou fingir-se tal por algum motivo lucrativo, senão esta triste e lamentável chefia que o chateia (e infecta a empresa) nem lá estava, nem nunca jamais e em tempo algum teria sequer existido promoção, se é que não foi à má fila, ao nível da incompetência inegável, nível esse, decerto há muito muito tempo atrás mais que ultrapassado).

Acredite, se o seu chefe é provinciano, é um parasita, por isso não sobrevive sem hospedeiros, matando-os, uns (mais fracos que outros) mais depressa, outros muito mais devagar. Quanto mais forte o hospedeiro, mas tempo de sobrevivência concede ao parasita, mas há os espertos que sabem a solução:

A solução é desinfectar (dali para fora), inoculando-se contra os malefícios dos ditos à custa de aguentar pequenas mordidas com a recompensa de a elas ficar eternamente imune.


3 - Narcisismo

O bom empreendedor sabe que empreende quando alinha o Universo e o convence que tem razão, não se admira a si próprio, admira sim a mecânica (quântica?) que permite que todos sejam admirados.

Em contrapartida, os inseguros peneirentos provincianos precisam de um ego alimentado e tudo farão para eliminar, a todo e qualquer custo (mesmo da existência da empresa) qualquer coisa que prove algo que lhes prejudique a imagem de "bons empreendedores".

Não se iluda, fá-lo-ão, mesmo que isso implique desfalcar boas equipas de um ou mais membros supra-normais em excelência que não considerem estas tácticas "narcisistas" (de disfarce de estupidez saloia) as melhores.

O resultado é sempre o mesmo: o bom é desenhado como de-estabilizador e muito mau.

Felizmente, a longo prazo, o parasita do chefe paga depois um preço demasiado elevado por se livrar precisamente do catalisador das condições que propiciam o seu condenável Narcisismo.

O Narcisista apaixona-se pelo reflexo que acha que tem de si próprio que, como acima se vê e, para complicar ainda mais, quando o reflexo é ameaçado, é absolutamente falso, irracional e roça já o quasi-psicótico - não se espante com reacções completamente infantis e histéricas.


4 - Preguiça

Toda a gente confunde actividade com produtividade - mexer não é fazer. Mexer muito não é fazer muito. Deveriam meditar nestas premissas todos os grandes COO's e CEO's.

Preguiça não é não fazer nada, às vezes não fazer nada é sabedoria.
Preguiça é não fazer o que é preciso, quando é preciso, da melhor maneira possível, e isto sim, é laxismo, desleixo, irresponsabilidade absoluta.

Mas atenção, é diferente algo que "é preciso" mesmo, e algo que se "acha" que é preciso para satisfazer o referido ego narcisista e manutenção das aparências!

Alguém preguiçoso não diz que não fez por isto ou por aquilo, como diria alguém diligente com dificuldades na tarefa. Ao invés, diz que não fez por causa deste ou daquele.

São sempre os outros, e não as circunstâncias, que estas criaturas culpam, sendo que assim se pode sempre "não" explicar as razões, porque a culpa é "de outro", e passa a esse outro o ónus da "justificação", que pode ser adulterada... ai ai se pode.

Os ditos competentes que apontem dificuldades técnicas, que se justifiquem academicamente, e que respondam a esta espécie horrenda com honestidade, cujo ego do "cego por poder" não quer nem ver nem admitir nem jamais permitir que não se atinjam resultados por motivos (que você lhe demonstra perfeitamente explicáveis), arriscam a extinção se não mudarem de habitat.

Neste contexto, o que o/a inclui a si, não se pode (ainda) passar de presa a predador. Ainda.
Mas pode mudar-se de contexto, já.


5 - Mesquinhice

Os detalhes são importantes, mas os mesquinhos não ligam aos detalhes, não ligam aos pormenores.

Implicam e sonham com estes se for importante para a imagem, ou se prejudicarem algo megalómano e estúpido, precisamente por se ter falhado planear os detalhes (que alguém como você deve ter avisado).

As lascas que se devem remover aos detalhes são lixo, mas eles acham que não, ou que talvez sim, ou que se fosse doutra forma era melhor... Se não podes vencê-los, confunde-os.

É nisso que são bons, lançam névoas de dúvidas até aparecer alguém para culpar - adivinhe lá quem? O/A funcionário responsável que sempre avisou... Você.

Vá na conversa ou mude de conversa, senão mudam-na por si, e quando você poder, frequente outro "café", pois o tempo do refeitório do infantário já lá vai.

Estes imbecis de chefes focam-se na limalha, na serradura, nos dejectos... não no efeito dos nutrientes ou no talento da escultura que resultou em tais resíduos, e como tal, não conseguem ver a beleza da obra terminada.

Apenas vêem o que esta não aproveitou de matéria prima... O que sobrou. Mais para se queixarem e enaltecerem o ego a denegrir os profissionais de qualquer maneira.

Embora, ironicamente, sempre a comprem (muito) a mais (a dita matéria prima), quanto mais não seja, para dar nas vistas, pois ao que parece, também se confunde "rotatividade" com produtividade.


6 - Inanidade (diria mais "Insanidade")

Basicamente corresponde a dizer que a Estátua da Liberdade é má porque com menos cimento se faria algo semelhante com apenas 10 cm e seria suficiente... Ou seja, ignoram pura e simplesmente o talento e a obra porque esta os ofusca, e nada melhor que o desprezo.

Faça o mesmo com este espécime, infelizmente não tão raro, quando a oportunidade surgir, e estiver noutras altitudes (muito mais altas, obviamente), despreze tal criatura serenamente.

Medir o desempenho de um músico com base nas horas em que compõe por dia ao invés de o fazer com base nos resultados que obtém independentemente dos ditos é tão sábio quanto achar que um Ferrari F430 é a melhor opção para Todo Terreno em Marrocos, por piso acidentado, pedra batida e povoado de areia, apenas por causa da rapidez do dito veículo caríssimo e inapropriado.

Mas como a administração pediu velocidade, o estúpido do chefe vai obrigar toda a equipa a sofrer e alisar Marrocos, para ele/ela não ficar mal e usar mesmo o Ferrari que ele/ela sugeriu à Administração como prova da sua imensa "sabedorida" (saloia), e em vez de investir num Cayenne Turbo S, como decerto alguém como você ousaria colocar à consideração - com o seu emprego em simultâneo.

A Administração confia no saloio do chefe que tudo fará para que seja o seu plano o implementado, por muito mau que seja (e normalmente é mesmo muito muito mau).

E mais, se alguém demorou cinco segundos a fazer algo que o chefe disse que demoraria, digamos, cinco anos - embora perfeito, não serve, porque para ser perfeito não pode nunca ter levado cinco segundos, o projecto bom é o de cinco anos! E não se fala mais nisso, nem no tipo/tipa que levou cinco segundos!

Se você tem a sorte de conseguir que o seu talento seja reconhecido pela chefia da sua chefia, então terá conseguido que a chefia admita o seu talento engolindo um enorme sapo, mas prepare-se pois ao mínimo deslize, mesmo que nem isso seja, você passa de bestial a besta... a partir desse momento, a sua estratégia deve assumir logo que você vai sair, e não se iluda, porque vai!

Deline uma estratégia à prova de bala, siga-a pacientemente, de forma a sair pela porta grande, levando a empresa admitir que cometeu um erro, sem a encostar à parede, sempre do lado da mesma, e no final forçando-a insistentemente a manter tal conclusão confidencial, pois é a empresa que lhe interessa, sair a bem e recheado, a sua chefia fica para trás, e para trás deve ficar. A estabilidade é essencial na empresa e você provou o que tinha a provar e continuar a querer o bem da dita, a seu tempo a empresa lidará (ou não) com o mentecapto/a que cometeu o erro crasso de achar que você cometeu algum erro.

Entretanto, se não quiser sair e curtir os ganhos de uma paciente estratégia bem delineada à custa da imbecilidade da sua chefia (pois você pode acabar com uma "promoção" muito superior à dele/a, é promovido a rico, é reconhecido e sem ter que trabalhar, conseguiu num instanto o que a sua chefia jamais conseguirá - realização - e apenas se limitou a fazer o que a empresa sabe que você faz bem e melhor - "pensar"), aguente penosamente!

Se não quiser arriscar tentar uma saída "airosa", então tome cuidados redobrados a partir do momento em que assume algum protagonismo e dê tanta graxa que enjoe e mais ainda, esta espécie de tótós acredita piamente na bajulação, senão, a sua chefia defenderá o território que tão tristemente ocupa usando tudo e todos, para chatear À exaustão, vencer pelo cansaço, até conseguir submergir o protagonismo deste funcionário exemplar (você), ou melhor, mandá-lo de vela... (isto é: de iate, ou jacto particular, que lhe dá a si mais jeito)

Qualquer argumento serve, desde que - absolutamente - NADA tenha a ver com a perfeição atingida e que, acima de tudo e é esse o objectivo: a manche, a sua reputação, não a da chefia.


7 - Frivolidade

Um chefe destes, inseguro e egocêntrico - mistura explosiva - não leva nem nunca levará jamais a performance a sério, nem sequer a conhece! Despreza, ignora, esquece.

Não tem a mínima ideia das implicações de nada em qualquer fase do processo excepto se achar que impressiona superiores ou laterais, tenha ou não a ver com alguma coisa com o que está a ser feito.

Apenas quer manter o ego vaidoso num (falso e prestes a ruir) "alto" patamar usando todos os anteriores estratagemas acrescentando-se a frieza cruel da frivolidade, todos pelo chefe e o chefe por ele à custa de todos se for preciso, traindo sem o mínimo escrúpulo e com um cinismo brutal.

Se alguém muitíssimo competente ameaçar o território destes chefes, mesmo à custa dos secundários (para o chefe tónhó) excelentes funcionários, e apesar de mais importantes que tudo para os interesses comuns da empresa, a frivolidade levará a melhor e a avaliação do mega-competente será avassaladora(mente)... má! Ergo, frívola, isto é, tais funcionários na opinião da chefia, não funcionam.

Ipsis verbis: faz-te à vida filho/a que me estás a ameaçar a imagem falsa que passo e acredita que te farás...

Faça-se à vida, mas semeie a árvore "verdadeiro espelho" antes de se sumir, que deixará a germinar no interior da empresa, imponentemente discreta, no sentido de expor esta vergonha de chefe que ninguém sabe como chegou a tal coisa e para que justiça seja feita e, o que realmente interessa a si, a empresa não seja prejudicada mais (ainda).


Conclusão:

Não há (mesmo) como escapar, nem (lamentavelmente) como ganhar (não logo! - A paciência do chinês compensa, o tempo dirá sempre quem tem razão, se você não a perder).

A única hipótese é deixar a natureza seguir o seu curso, isto que implica que o equilíbrio assenta, mais cedo ou mais tarde, mas sempre. E sim, a natureza FUNCIONA! Você nasceu, certo?

Se nada for descurado, se todas as precauções forem tomadas, se todas as defesas forem levantadas, o inseguro chefe prevaricador quasi-delinquente definhará na sua própria sede enquanto se rodea ou de semelhantes ou de inferiores, e tal acontecerá à medida que elimina os competentes que o fazem sentir ameaçado, com o infundado e paranóico receio que exponham a sua incompetência descarada e passa a uma questão de "quando", não de "se".

Se não existirem leucócitos profissionais e o sistema imunitário estiver debilitado, basta uma célula ter o seu DNA alterado para comprometer todo o organismo provocando crescimento desenfreado maligno de saloios parasitas que consomem todos os recursos do organismo até o extinguir... Estes chefes matam um empresa, sugam-lhe tudo - e criam metásteses à medida que atacam os orgãos, uns mais vitais que outros.

Mas basta uma instrução máscula ditatorial ao sistema imunitário, uma vacina, um tratamento potente para que se reconheça o padrão da dita chefia maligna e se faça uma limpeza radical da dita antes de esta se propagar ao ponto de ter poder de matar.

O organismo só desfalece quando é tarde... e a deixarem patogénicos destes livres, é também uma questão de quando, não de "se".

Num mundo que não é justo, mas que também não é dogmático nem tão intransigente como nos querem fazer acreditar, desejo a todos felicidades, e desejo que os maus chefes ou deixem de o ser (maus) ou deixem de o ser (chefes), que todos os organismos sejam saudáveis e que possa continuar a ser eu o chefe.



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Nome: Alvaro M. Rocha
Localização: Lisboa, Portugal
Nascido a 24 Fev, 1975. 08:00 am GMT no hospital de Ovar, Portugal.

Estudante brilhante com aptidões precoces para a música, software e electrónica..

Cinturão(es) negro(s), instrui peculiarmente, na esperança de melhorar algo, ou não.



 



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