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Março 08, 2007

Herman José - desSICado












Herman José, um dos mais influentes artistas da minha e outras gerações - Dissertação merecida por um dos mais influentes artistas da geração X, Y e Z...




É o próprio a admitir estar pronto para arrumar as malas e ir curtir de vez para o Mónaco, refastelando-se em maravilhosas refeições minimalistas no Hotel Paris para depois ir fazendo rodagens ao "iate actual", vulgo "barquito" diria o próprio, até à Sardenha...




Francisco Penim, esse jovem visionário - que tem muito ainda a cavalgar na direcção do princípio de Peter - percebeu que o Herman é o que eu acho que o Herman é.


Apesar de separados uma geração (eu e o Penim), ambos parecemos partilhar da opinião do que fez "Herman" o "Herman".




Por muito que o Herman José grame cantar, ou esboçar um "jazzy" nostálgico nas teclas, ou ainda, reformar-se na requintada cadeira de anfitrião de convidados famosos - enquanto intervala com umas piadas forçadas - er...




...é nisto a seguir que a malta cai para o lado quase ao ponto de síncope cardíaca com o talento irrefutável e brutal de Herman José para fazer rir:




- José Estebes, carago


- Zé Xunga (num xepelicam, num xepelicam, e ós pois proíbem...)


- O Peleluzidente da Junta (eu é que sou... eu.. eu é que sou o..)


- Diácono Remédios (num habia - hum - nexexidadeze - hum, mm.)


- O Nelo (resmas de gaijas, não confundir com o Nelito)






Mas associados a estes 4 grandes, perdidos noutros personagens igualmente hilariantes, mas menos, existe uma característica inerente a Herman apenas:




- Mímica




O homem faz rir apenas com expressões, adaptando os maneirismos a uma linguagem que associa aos seus personagens mais caricatos. Um génio irrefutável das expressões faciais e gestos corporais, consegue, sem esforço algum, e completamente calado, fazer cair de rir qualquer pessoa normal. (A chamada comédia de situação, certo?)




É natural que Herman, tendo feito a caminhada que fez (a má, em direcção ao fosso, não a boa em direcção à imortalidade), orientado para um nível de entertenimento cada vez mais elitista (pena) do ponto de vista cultural (para ricos de Cascais que nem esses apanham algumas excelentes e inteligentes piadas), e Herman se tenha perdido na sua própria evolução, deixadando para trás o "Herman" nosso, da "terrinha", que cresceu por cá, foi estudar fora, e depois corrumpido perdeu-se no homem importante que hoje é... passou de revolução a evolução, num sentido que não agrada a todos.




E aqui é chegada a parte do "futuro".


O Herman cresceu, o homem muito na frente do mercado, passou-lhe agora - à frente - do mercado, leia-se, desadequou-se (esta palavra existe?), aos nossos olhos, andou para trás de repente... mas um "para trás" onde nunca sequer esteve! Não porque o mercado tenha "crescido", mas precisamente porque os "tugas" continuam tão ou mais saloios quanto o sempre foram, em maior quantidade, para o melhor e para o pior, logo o mercado cresceu mas continua o mesmo... não evoluiu.




Um talk-show americano tem espaço para ocorrer todos os dias, mas mesmo nesse imenso mercado, não tem espaço para mais que 30 minutos. Portugal até tem espaço para sátiras semanais, mas não superiores aos tais 30 minutos de "atention span", mesmo com sketches cómicos pelo meio, o foco perde-se e o formato parece andar um bocado à deriva... é o Herman cómico? Ou é um programa sério com o Herman a apresentar? Ou as duas coisas?




O que teria que mudar no Herman Sic?




Nada, a manter-se o formato, talvez o horário, e a duração.


O que teria que mudar, caso o Herman continue interessado em rentabilizar o seu enorme talento, seria "não mudar" a essência de o que fez Herman o Herman.



Mas eis que surge a dicotomia entre o que a malta quer ver o Herman fazer, e entre o que o Herman quer mostrar ser capaz de fazer... ponha-se um Diácono Remédios em forma durante uma hora a mandar bitaiques e vejam-se como este homem que está tudo menos acabado a obliterar todas as audiências com recordes de fazer cair o queixo.




Talvez seja este o "Herman" que Penim sabe que tem.




Cuidem-se os novos valores, pois este "conservatório ambulante" tem algo que muitos só podem aspirar... algo que nasceu com ele, único, e que seria uma pena desperdiçar, o homem que "alimenta" 50 famílias no seu espaço em Alcântara (Café Café/Bastidores) perdeu-se no seu mito, ou melhor, perdemo-nos nós, porque nunca foi mito, ainda é Herman José à procura de só ele sabe o quê, mas quase perdemos o dito homem na sua busca...




O Herman detesta envelhecer, mas não é envelhecer que é o problema, é querer permanecer "jovem"... como disse Picasso: leva muitos anos a ser-se jovem... os jovens estão sempre com pressa de envelhecer, os mais velhos com vontade de ser jovens, e eis algo falta no meio... falta juventude, no sentido de substância, de entusiasmo, de propósito.




Não é uma questão de idade, nem de apresentar programas como o "Jô", Conan O'Brien's ou o Jay Leno's, mas sim o que fica disto em cada um dos contextos.


Portugal/Herman é um contexto diferente de tudo, com a mania de importar! - e neste mercado de preguiça, precisa encontrar-se o que Herman procura, mas sem perder o que nós já encontramos há muito muito tempo... o Herman.




Um iate, um carro, uma playstation, cada um delira com o que cada um delira, o sentimento pode ser o mesmo em indivíduos diferentes em contextos diferentes... entenda-se o que o motiva, ao Herman, e que este entenda o que motiva o seu público.. num xepelicam, num xepelicam, e ós pois proíbem...




Abraços,
AMR


© Álvaro M. Rocha - Todos os direitos reservados.












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