→ [Audio] Surround 5.1, vende?
A maluqueira do surround parece estar ao rubro... excepto nas vendas.
Rodeado pelo surround
Nos primórdios do Doby Digital e DTS foi dos que defendi o lançamento de música em formatos multi-canal. E ainda defendo.
A questão é que não sou apologista do "Dolby Digital" e "DTS" 5.1, 6.1, EX, ES, ou o que for, por faz pouco sentido para mim, em termos comerciais, devido ao sacrifício de conforto a que força o ouvinte para conseguir desfrutar da experiência. Convém recordar que se pode colocar música na sala e escutar da cozinha.
Por isso, penso que a maioria das pessoas não se dará ao trabalho de comprar um "DVD" de música apenas por se imaginar refastelada no sofá enquanto o ouve, explorando toda a actividade surround 5.1. Falo também por mim, tendo inúmeros títulos multi-canal em alta-definição, *só* os ouço no tal relaxante e necessário cenário do sofá, consequentemente, raramente.
O que acho ser o caminho então?
O estéreo ainda é a norma
Por mais que os leitores de DVD baixem de preço, a malta de música só lá vai enfiar CD's. Por melhor que os algoritmos de compressão multicanal se tornem, a malta só lhes liga para experiências imersivas do tipo filmes ou jogos, porque quanto à música, o mais importante continua a ser a própria música, aquilo a que assobia, que faz bater o pé, abanar o capacete ou provocar pele de galinha arrepiante.
Muitos ainda apostam na abordagem do provocar inveja ao vizinho deixando o sistema multi-canal aos berros e retirando-se discretamente da sala, ou dançando freneticamente bem longe dos ensurdecedores altifalantes... perdendo-se assim a experiência imersiva que o produtor tentou induzir com a imagem em surround 5.1, isto é, que obriga o ouvinte a sentar-se no centro geométrico das 5, 6, e até 7 (por agora) colunas altifalantes...
...e já mencionei que muitos dos conjuntos dos altifalantes não estão correctamente dispostos?
Codificar
Assim sendo, para mim, a solução é ainda fulcrada na conjunctura do estéreo como raíz, e...para adicionar algum valor acrescentado, se necessário, então porque não, o Surround. Embora existam inúmeras maneiras de o fazer, pessoalmente costumo usar duas (excepto para alta-definição onde uso MLP ou WMA lossless):
- Windows Media Audio Multichannel encoder (ou similares)
- Dolby Prologic (ou similares)
Ficando-me pelos exemplos, o Windows Media Audio permite codificar (e comprimir) vários canais de audio, mas cria de forma transparente uma versão de dois canais se o ouvinte estiver a ouvir apenas com uma saída stereo. O Dolby Prologic, se na versão II, codifica uma matriz 5(.1), na IIx vai até 7.1, no próprio ficheiro estéreo, e embora o ouviente possa desfrutar da versão estéreo (com o na voga iPod, por exemplo, e auscultadores) pode também, se na disposição para isso, enfiar o CD na aparelhagem de alta-fidelidade com o mesmo ficheiro de som, ligando o respectivo descodificador ProLogic, obtendo os 5(.1) ou 4 canais (se versão I) a partir do ficheiro estéreo.
Convém sublinhar que a qualidade multicanal dedicada de algo como o Windows Media Audio é superior a uma matriz áudio matemática efectuada com truques de variação de fase do sinal, caso do ProLogic, mas tendo em conta o exemplo sala/cozinha, a diferença pode não fazer tanta diferença assim... excepto claro, se falamos de titulos multicanal de alta-definição onde o grau de exigência já de si justifica tudo sem o mínimo sacrifício de tecnologia, tamanho e afins, mas não é neste contexto que tenho o prazer de lhe escrever.
Note-se que o canal ".1" nos casos mencionados, que é o sub-baixo, é gerido automaticamente, sendo extraído de todos os outros, Não é um canal dedicado em ProLogic, embora o possa ser com o Windows Media Audio.
E falando de surround 5.1, o problema com o Windows Media Encoder (e similares) é que, uma vez que todos os canais discretos são codificados, o tamanho do ficheiro é algo tipo aproximadamente 6 vezes o tamanho do que seria um ficheiro estéreo - nada bom para a largura de banda (especialmente em versões de alta-qualidade com bitrates altos, e se apenas for para ouvir em estéreo).
Por outro lado, se se tiver um ficheiro estéreo com os 5(.1) canais codificados no mesmo com Prologic II, o tamanho do ficheiro será o tamanho de um ficheiro estéreo normal, ou seja, tipo 6 vezes menos que um como o anterior se dermos o desconto aos algoritmos de compressão, e isto com todos os canais lá, soando, tal como no caso anterior, bem em estéreo e em 5.1. Bom para a largura de banda, melhor ainda para arriscar compressões de altíssima qualidade com bitrates do arco-da-velha, e que podem ser desfrutadas calmamente num iPod em estéreo, ou, em casa, no sistema de Home-Cinema orgulho da famelga, em todo o glorioso surround 5.1, e tudo isto a partir de apenas um simples comum ficheiro com dois canais, vulgo, estéreo.
Isto claro, significa também que um ficheiro prológico, tendo os canais extras codificados no próprio ficheiro áudio estéreo normal, pode ser gravado directamente para um CD... áudio... comum.
O meu voto
Como se deve já perceber por agora, o meu voto fica-se pelo estéreo convencional codificado com informação ProLogic, e esta será provavelmente a minha orientação futura, isto se não me limitar ao estéreo por si só e apenas - que seria a opção zero, o voto original, mas gosto de adicionar valor, e o multicanal consegue esse valor acrescentado que vale bem a pena.
Por outro lado, defendo voigorosamente que áudio multicanal de alta-definição (24 bits, 96 khz) deva ser 5.1 de raíz, com canais discretos e independentes, sem sacrifícios de qualidade e, de preferência, sem qualquer tipo de compressão.Mas que venda em paralelo uma versão "standard" tipo a estéreo de que tenho estado a falar, deixando este material de alta gama, que até aceitaria pela Web para poupar banda com uns 25% de taxa de compressão (Q75 no WMA, semelhante à qualidade MiniDisc), para os tais momentos raros em que se pode desfrutar do sofá sem incomodar os vizinhos.
O futuro
Acredito que o futuro venha a provar infrutíferas tantas horas de transpiração que se perdem a tentam fazer uma boa mistura 5.1 (muitas soam mesmo mal, de música, em termos áudio, quero eu dizer). Isto porque o processamento digital de sinal (DSP) terá à disposição tais inimagináveis resmas de poder de processamento em tempo real que pegará em qualquer sinal áudio e fará com este tudo o que for possível, impossível e imaginário.
Por isso, a partir de uma fonte monofónica em muito mau estado, poderá obter-se um estrondoso e estonteante som surround 12:2, artificial é certo, mas soando tão realista quando o ambiente real que simula, e permitindo-nos circular, viajar por ele em tempo real, de vários ângulos, recalculando toda a acústica, um pouco à imagem de como já se faz com os jogos hoje em dia. Por isso a minha máxima é focar a música, a harmonia, a produção, a emoção em... estéreo, com a opção de valor acrescentado do espalhar automático e transparente para um igualmente bem produzido surround 5.1 (aliás, seria no sentido inverso, mas que interessa) por motivos de marketing e de imenso prazer pessoal (senão monofónico chegava, por estes pontos de vista).
Abraços,
AMR
© Álvaro M. Rocha - Todos os direitos reservados
© Álvaro M. Rocha - Todos os direitos reservados.
1 Comentários:
Não deixas de ter uma certa razão, mas não te podes esquecer que o que manad é novidade versus preço. O 5.1 é barato, cria a ilusão que se trata de um conceito avançado e foi giro para mostrar aos amigos logo vende. Em muitos casos as pessoas até nem têm uma sala suficientemente grande e acústicamente tratada para um bom estéreo mas têm um 5.1. Na verdade, salvo raras excepções só alguns percebem verdadeiramente de som, a maioria quer é a novidade e comprar alguma coisa.
Abraço
10:25 AM
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