→ Teixeira dos Santos - Inerte Força
Confesso-me muito céptico quanto à personalidade do actual ministro das Finanças, mas não tanto quanto à sua prestação.
Apesar do tremendo esforço que tem vindo a colocar sobre os cidadãos, e de espremer ainda mais além esse esforço, consegue pelo menos, e dado o seu grande à vontade com as novas tecnologias, criar (semear) um workflow automático que permita compensar a resistência inicial à mudança que o seu engenhoso plano obriga - leia-se "simplificar" para conseguir chegar ao "complicado".
Mais que eu, decerto o é o Ministro das Finanças grande fã da automação desde que a informação exista. Eu defendo a total ausência de privacidade se se tratarem de actos públicos (ressalvando a informação mais sensível), pouco me interessa se sabem quanto devo, quanto gasto ao almoço, ou quanto ganhei o ano passado. Sabem os gerentes dos sítios que frequento, sabe o meu círculo de amigos, e por mim, pode saber toda a gente, e já agora, paguem uns almocinhos que não me importo.
Certo é que por mim o tal "cartão único" poderia funcionar como "chave" a inserir em qualquer aparelhómetro na altura de pagar, não sendo preciso facturas e tendo o Estado poder de computação suficiente para mastigar a informação toda e ao fim do ano dizer quanto temos que pagar (ou melhor, de receber). Quem diz na altura de pagar, diz em tudo o resto, sejam consultas de saúde, votar, assinar escrituras, depositar, levantar, o que for... não tenho nada a esconder nem grandes problemas em que a informação seja divulgada, dentro dos limites do bom senso porque obviamente, há sempre artistas prontos a preverter o conforto do conceito em algo que verdadeiramente nos incomode.
Acho que aí, e com Teixeira dos Santos, é possível chegar ao tal ponto "Big Brother" mas no bom sentido, no sentido do conforto, e não no sentido policial à là USA. Nesse aspecto, o trabalho tem sido bom... no resto, tem sido absolutamente terrível, um claro estímulo à pobreza, e bem sustentado... porque a ausência de burocracias não cria valor, cria condições para criar valor - falta aproveitá-las e precisar delas.
Dito isto, convém trabalhar na elasticidade das reclamações fiscais e porque não, criar "gestores de conta" para cada contribuinte, até porque, verdade seja dita, ninguém percebe patavina de impostos excepto os que (acham que) podem ir buscar algum.
© Alvaro M. Rocha - Todos os direitos reservados.
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